Desta vez é que é!

Autarca. Coordenadora Concelhia do Bloco de Esquerda de Torres Novas.

O PDM é o principal instrumento para ordenar o território e deve, quanto a mim, ordená-lo de forma a garantir a segurança de pessoas e bens(...).

Em todos os desastres naturais que têm afetado o território nacional, sem exceção, fazem-se diagnósticos e prometem-se novas atitudes, sejam incêndios, cheias ou inundações ou ondas de calor. É sempre assim como toda a gente sabe.

Mas continuamos a responder de forma reativa e geralmente mal.

Os governos não têm estado à altura, o atual não foi exceção, respondeu atabalhoadamente quando as populações mais precisavam da ajuda do Estado.

Os últimos acontecimentos comprovaram mais uma vez que a ciência climática tem toda a razão, seja na informação disponibilizada, nas propostas que vai fazendo, nos diagnósticos que publica. Os gases com efeito de estufa estão mesmo a mudar o planeta, a influenciar a natureza. Os negacionistas como os partidos Chega e Iniciativa Liberal travam uma luta para influenciar a opinião pública de que nada mudou no clima, estão errados e são perigosos.

Mas também existem muitos outros responsáveis políticos que não se declarando negacionistas tudo fazem para que nada mude, tudo se vai mantendo como se as alterações climáticas fossem um mito. É o caso de muitos autarcas e técnicos superiores que se vão batendo para que nada mude no ordenamento e planeamento do território, são incapazes de afrontar os interesses instalados nomeadamente na classificação de terrenos de forma a manter a construção urbana em leitos de cheia e em zonas de declives.

Em Torres Novas está a decorrer a revisão do PDM, ao fim de quase 25 anos, está finalmente em fase final, julgo eu, de apreciação das propostas públicas apresentadas. A julgar pelo projeto apresentado, se não forem aceites alterações significativas, vamos continuar a jogar o jogo da sorte, pode ser que não aconteça.

Parte muito significativa do vale do rio Almonda são zonas inundáveis há centenas ou milhares de anos como toda a gente sabe, ainda assim construiu-se muito junto ao rio, não havia o conhecimento que há hoje e nem se assistia aos fenómenos extremos que temos vindo a testemunhar nas últimas décadas.

O que é grave é a construção recente quando já havia conhecimento científico e as alterações climáticas eram visíveis, construção privada, mas também construção pública -  Biblioteca Municipal, Piscinas Municipais, atualmente decorrem obras para a piscina ao ar livre mesmo em cima da margem do rio, ou o Intermarché, são alguns exemplos.

 Se em vez da grande quantidade da água das chuvas que temos presenciado que vai chegando de forma continuada e persistente assistíssemos a fenómenos extremos de chuva torrencial como recentemente aconteceu em Valência, bem podíamos pedir um milagre…  e é contra o inesperado que temos de nos prevenir.

O PDM é o principal instrumento para ordenar o território e deve, quanto a mim, ordená-lo de forma a garantir a segurança de pessoas e bens e não corrermos o risco de só nos lembrarmos de S. Bárbara quando faz trovões.

A Câmara Municipal tem um conjunto de documentos oficiais aprovados e publicados ( Plano Municipal de ação Climática - mitigação e adaptação, Risco de Cheias e Inundações, Plano Municipal de Emergência contra Incêndios, planos de ordenamento do território e outros)  que custaram muitos milhares de euros ao erário público que obrigatoriamente devem servir de orientação às decisões politicas que se avizinham nomeadamente a aprovação do PDM.

Será que é desta vez?

António Gomes

Artigo de opinião publicado no 'Jornal Torrejano'