Os factos

Autarca. Coordenadora Concelhia do Bloco de Esquerda de Torres Novas.

4 mil milhões de euros foi quanto (os imigrantes) descontaram dos seus salários, um contributo inestimável para a sustentabilidade da Segurança Social.

Sabemos todos da importância que os imigrantes têm na economia do País, como são fundamentais para que as empresas possam laborar, são imprescindíveis na agricultura, no turismo e noutros setores. Imaginem as prateleiras dos supermercados sem o trabalho dos imigrantes, nem o dinheiro resolvia a escassez de bens, a fome batia-nos à porta, que ninguém tenha dúvidas.

Nos últimos dias vieram mais uma vez a público os números oficiais sobre o contributo destes trabalhadores para a Segurança Social: 4 mil milhões de euros foi quanto descontaram dos seus salários, um contributo inestimável para a sustentabilidade da Segurança Social. Ou seja muitos milhares de reformados e pensionistas (todos de nacionalidade portuguesa) têm a sua reforma ou pensão assegurada por via do trabalho dos imigrantes. E já agora, muitos milhares de trabalhadores ainda no ativo têm os seus subsídios de desemprego, abono de  família, RSI, e outros, efetivamente assegurados devido ao contributo destes trabalhadores que foram obrigados a abandonar os seus países por causa da fome e da guerra e aqui procuram uma vida melhor.

O exemplo de Torres Novas deve ser divulgado e conhecido por forma a repor a verdade e combater a mentira e o ódio que a extrema direita difunde e que pelos vistos uma parte significativa da nossa comunidade acredita.

Foi há poucos dias divulgado o relatório anual referente a 2025 do SAAS ( Serviço de Atendimento e Acompanhamento Social) do Município de Torres Novas, várias são as preocupações nele contidas, problemas de carência económica, de habitação indigna, de saúde.

Quanto à nacionalidade e é isso que quero agora destacar, para que as perceções não se transformem em verdades absolutas, dos 2080 beneficiários acompanhados pelo SAAS, 1708 são cidadãos e cidadãs portuguesas e apenas os restantes 373 são de várias outras nacionalidades da Europa, do Brasil e África, sendo que apenas 15 são oriundos da Ásia.

Os cidadãos estrangeiros que recebem apoios do Estado Português são uma minoria e a riqueza que produzem para todos nós e o trabalho que realizam é incomparavelmente superior.

Devíamos estar agradecidos a quem nos ajuda, mas parece que o ódio é mais fácil de difundir.

 

António Gomes

Crónica de opinião publicada no 'Jornal Torrejano'