Diogo Gomes refere o voto do Bloco a favor da Moção do PS, "Tendo em conta a urgência e a necessidade de enfrentar esta nova realidade climática."
Intervenção de Diogo Gomes na Assembleia Municipal de 27 de fevereiro de 2026
O recente “comboio” de tempestades que fustigou a nossa região não foi um acaso isolado. Foi mais um sinal claro de que estamos a viver num novo contexto climático.
Aquilo que antes era exceção tornou-se o normal. E quando o normal muda, as políticas públicas têm de mudar também.
Durante décadas, os cientistas alertaram para este cenário. Avisaram para o aumento da frequência e intensidade de fenómenos extremos, para o risco acrescido de cheias, incêndios e eventos meteorológicos severos. Estes alertas foram sistematicamente desvalorizados por correntes negacionistas que preferiram ignorar a evidência científica.
Esse negacionismo, amplamente promovido nos Estados Unidos, acabou por ser importado para Portugal por forças políticas como a Iniciativa Liberal e o Chega, que continuam a relativizar ou a minimizar a urgência climática. Mas a realidade impõe-se. E governar é lidar com a realidade, não com slogans.
O que aconteceu recentemente demonstra que o Plano de Ação Climática não pode continuar a ser um documento de boas intenções guardado numa gaveta. Tem de ser um instrumento operacional, aplicado com rigor, articulado com os restantes planos municipais e executado no terreno.
É por isso preocupante analisar intervenções recentes em Torres Novas.
As recentes obras da Av. Jorge Sampaio, junto ao Nicho em que a circulação automóvel teve de ser cortada porque a estrada fi cou submersa, situação bem conhecida, que se repete ao longo dos anos era perfeitamente evitável, ou a construção do Intermaché em pleno leito de cheias, são exemplos claros de que a prevenção para os riscos das alterações climáticas ainda não chegaram a Torres Novas. Os instrumentos existem. O Plano de Ação Climática, o Plano Municipal de Defesa da Floresta Contra Incêndios, o Plano Municipal de Emergência e Proteção Civil, o PDM, e até estudos académicos como o do CEGOT sobre o risco de cheias em Torres Novas.
O que não pode acontecer é estes documentos serem tratados como formalidades administrativas. Eles devem estar permanentemente na mesa de todos os autarcas e dirigentes técnicos. Devem orientar decisões urbanísticas, licenciamentos, obras públicas e revisões de planeamento.
Enquanto o PDM não estiver alinhado com estes planos, estaremos, na prática, a planear a próxima catástrofe com dinheiro público.
O combate às alterações climáticas não é um discurso ambiental abstrato. É uma exigência de responsabilidade política, e de proteção das populações.
Tendo em conta a urgência e a necessidade de enfrentar esta nova realidade climática, o Bloco vota favoravelmente esta moção.