Venha o 2º "Round"! Democracia Vs Populismo

Como se houvesse alguma indecisão possível entre um homem que afirma "agir com liberdade e lealdade à Constituição" e um que diz que é necessário haver "três Salazares".

Como todo o português deverá saber, no passado domingo realizou-se a primeira volta das Eleições Presidenciais em que a nossa candidata Catarina Martins que fez uma campanha limpa, correta, e com muito esforço de todos os seus apoiantes, ficou aquém do que gostaríamos, com 2,06% dos votos. No entanto, devemos ver o panorama geral do que se passou, e há várias conclusões a tirar.

Em primeiro lugar, venceu o “menos mau” dos favoritos das sondagens. António José Seguro (apoiado pelo PS) venceu a primeira volta com 31,11% dos votos, ficando André Ventura em segundo lugar com 23,52%. O que nos leva para o embate destes dois candidatos na segunda volta, no dia 8 de fevereiro.

Em segundo lugar continua óbvia a preferência pelos partidos de Direita política por parte da população portuguesa: os votos correspondentes de Ventura, Marques Mendes e Cotrim somam um total de 50,82% dos votos. A Esquerda com Seguro, Catarina Martins, António Filipe e Jorge Pinto, somam apenas 35,49%, estando os restantes espalhados por candidatos independentes (destaco apenas Gouveia e Melo com 12,32%) e votos nulos e brancos. No entanto há mais pontos a reter.

O PSD, que apoiou Luís Marques Mendes, obteve a pior votação de sempre. Sim, de sempre, com 11,30% dos votos. O que nos leva a entender o descontentamento geral da população com as políticas do atual Governo. Quando se normalizam partos em ambulâncias, se ignora a falta de professores, quando a falta de habitação é deixada para “o mercado resolver”, quando se beneficia quem tem mais, e se ataca quem trabalha com um pacote laboral que permite despedir à Lagardère sem a presença de testemunhas… é este o resultado.

O famoso “Não é não” de há ano e meio declarado por Luís Montenegro também já perdeu a validade: o Primeiro Ministro prefere ficar entre a decência e o radicalismo, e não tomar uma posição do lado da Democracia. Como se houvesse alguma indecisão possível entre um homem que afirma “agir com liberdade e lealdade à Constituição” e um que diz que é necessário haver “três Salazares”.

É aqui que a Esquerda se une, e bem, ao candidato apoiado pelo PS. Confesso que António José Seguro não é o nome mais apelativo, mas é o menos mau. É o voto na democracia, na defesa da constituição e cumprimento da mesma. O voto na Segurança da continuação da República que tanto custou a obter, e agora, a manter. Nestes tempos obscuros, temos que nos manter…. Seguros.

Pedro Gouveia, 19.01.2026